Gramática On-line | Por Prof. Dílson Catarino

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Ultima atualização: 18 DEZ 2013

/ O COTIDIANO DA LÍNGUA

Sujeito simples e composto x oculto x indeterminado

Na maioria das orações, é extremamente fácil classificar o sujeito, pois ele aparece escrito na oração, sendo, então, claramente perceptível. Quando isso ocorrer, ele será denominado de sujeito simples – o que tem somente um núcleo - ou de composto – o que tem dois ou mais núcleos.

Em tempo: Encontra-se o sujeito de um verbo, perguntando a este o seguinte: “Que (ou Quem) é que .....?”. Núcleo é a palavra que de fato exerce a função sintática. Por exemplo, observe as seguintes frases:

- Crescem casos de câncer em animais de criação.

Para se descobrir o sujeito do verbo “crescer”, pergunta-se a ele: “Que é que cresce?” A resposta será o sujeito: “casos de câncer”. O sujeito será classificado como “simples”, já que há somente um núcleo: “casos”, que é o que de fato cresce.

- Encorajados pelos jovens, pais e avós fazem tatuagem.

Para se descobrir o sujeito do verbo “fazer”, pergunta-se a ele: “Quem é que faz?” A resposta será o sujeito: “pais e avós”. O sujeito será classificado como “composto”, já que há dois núcleos: “pais e avós”, que é quem faz tatuagem.

Há casos, porém, em que o sujeito não surge com tanta clareza assim, sendo necessária uma análise um pouquinho mais aprofundada. Observe as seguintes frases:

- Se não agilizarem a construção dos estádios, haverá problemas.

- Os engenheiros atrasaram o trabalho. Se não agilizarem a construção dos estádios, haverá problemas.

Na primeira frase, se se perguntar ao verbo “agilizar” quem é seu sujeito, não haverá resposta, não haverá núcleo algum; não haverá, portanto, sujeito simples nem composto.

Já na segunda frase, se se perguntar ao verbo “agilizar” quem é seu sujeito, não haverá a resposta dentro da mesma oração do verbo, mas na oração anterior. Como, porém, não há núcleo na mesma oração do verbo, não haverá sujeito simples nem composto. Qual a classificação do sujeito em ambas as frases, então?

Quando não for possível identificar o sujeito na mesma oração do verbo nem em orações anteriores, mas se souber que há quem pratique ou sofra a ação do verbo ou que há quem possua determinada qualidade indicada pelo verbo, classifica-se o sujeito como indeterminado. É o que ocorre na primeira oração (Se não agilizarem a construção dos estádios, haverá problemas): não se identifica quem agilizará a construção, mas sabe-se que alguém a agilizará. Sujeito indeterminado, portanto.

Quando não for possível identificar o sujeito na mesma oração do verbo, mas o for em alguma oração anterior, classifica-se o sujeito como oculto. É o que ocorre na segunda oração (Os engenheiros atrasaram o trabalho. Se não agilizarem a construção dos estádios, haverá problemas): não se identifica quem agilizará a construção na mesma oração do verbo, mas o identifica na oração anterior: os engenheiros. Sujeito oculto, portanto.

Há outros casos ainda, em que surge o pronome “se” acompanhando o verbo, o que torna mais complexa a classificação do sujeito, já que o pronome “se” pode exercer diversas funções nas orações. Vejamos algumas delas:

- Ninguém sabe por que ele se matou.

Para se descobrir o sujeito do verbo “saber”, pergunta-se a ele: “Quem é que sabe?” A resposta será o sujeito: “ninguém”. O sujeito será classificado como “simples”, já que há somente um núcleo: “ninguém”.

Para se descobrir o sujeito do verbo “matar”, pergunta-se a ele: “Quem é que matou?” A resposta será o sujeito: “ele”. O sujeito será classificado como “simples”, já que há somente um núcleo: “ele”. Mas, ele matou a quem? A si próprio. O pronome “se” é que indica isso. Quando o pronome “se” indicar que o sujeito pratica a ação sobre si mesmo, sintaticamente ele será classificado como objeto direto ou objeto indireto, dependendo de o verbo ser transitivo direto ou transitivo indireto. Como o verbo é transitivo direto (Quem mata, mata alguém), o pronome “se” será objeto direto. O mesmo ocorre se o pronome “se” indicar reciprocidade, como em “Capitu e Bentinho se amavam”.

Observe, agora, as seguintes frases:

- Não se resolvem os problemas com violência.

- Aqui se assiste às aulas atenciosamente.

Nessas frases, o sujeito não pratica a ação sobre si mesmo nem há reciprocidade. Se se perguntar ao verbo quem resolve os problemas e quem assiste às aulas, não haverá resposta clara. Aparentemente, portanto, o sujeito é indeterminado em ambos os casos, não é mesmo? Mas não é isso o que acontece. Vamos à explicação:

Quando surgir o pronome “se”, e o sujeito não praticar a ação sobre si mesmo nem houver reciprocidade, deve-se analisar a predicação verbal para se descobrir a função do “se”:

- Se o verbo for transitivo direto acompanhado de seu objeto direto, o pronome será denominado de partícula apassivadora, e o objeto direto se transformará em sujeito. Com isso, o verbo passará a concordar com o sujeito. É o que ocorre na primeira frase: O verbo “resolver” é transitivo direto, pois “Quem resolve, resolve algo”; ele está acompanhado de seu objeto direto – “problemas”: alguém resolve os problemas. O pronome “se” é, então, partícula apassivadora, e “problemas” passa a ser sujeito simples, por isso o verbo concorda com ele, ficando no plural. "Não se resolvem os problemas" é equivalente a  "Os problemas não são resolvidos".

Já se o verbo for transitivo indireto acompanhado de seu objeto indireto, o pronome “se” será denominado de índice de indeterminação do sujeito, o sujeito será indeterminado e o verbo ficará na terceira pessoa do singular. É o que ocorre na segunda oração, pois o verbo “assistir” é transitivo indireto (Quem assiste, assiste a algo) e está acompanhado de seu objeto indireto - “aulas”. O pronome “se” será denominado de índice de indeterminação do sujeito, e o verbo ficará no singular.

O pronome “se” será denominado de índice de indeterminação do sujeito, além de quando acompanhar verbo transitivo indireto com seu objeto indireto, quando acompanhar verbo transitivo direto com objeto direto preposicionado (Ama-se a Deus), verbo de ligação com predicativo do sujeito (Aqui se é feliz) e verbo intransitivo sem sujeito claro (Morre-se de câncer).

E, finamente, há um caso eu que o sujeito aparentemente é uma palavra, mas de fato será outra. Observe a seguinte frase:

-Há políticos que não respeitam a população.

Se se perguntar ao verbo “respeitar” quem é seu sujeito, obter-se-á como resposta o substantivo “políticos”, pois são eles que não respeitam a população. O sujeito é, portanto, simples, não é mesmo? Mas não é isso que acontece. Vamos, então, à explicação:

Quando se analisar sintaticamente um verbo, procurando qualquer função sintática, se encontrar um substantivo que aparece antes dele, e, entre os dois, surgir “que”, “quem” ou “qual”, provam-se três coisas:

a- “que”, “quem”, “qual” são pronomes relativos;

b- iniciam oração subordinada adjetiva;

c- a função procurada pertence a eles.

Perguntando-se ao verbo “respeitar” quem é seu sujeito, obtém-se como resposta o substantivo “políticos”; há, entre eles (o verbo e o substantivo), porém, a palavra “que”, que é pronome relativo, inicia oração subordinada adjetiva e exerce a função procurada: sujeito simples do verbo “respeitar”; simples porque há apenas um núcleo: “que”.

 

 

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