Gramática On-line | Por Prof. Dílson Catarino

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Ultima atualização: 18 DEZ 2013

/ O COTIDIANO DA LÍNGUA

Há escolas que investem em tecnologia.

O verbo haver é um dos mais problemáticos da Língua Portuguesa, pois obedece a uma regra ilógica: declara algo sobre determinado termo, mas não concorda com ele em número, ou seja, singular/plural. Vamos à explicação:

Quando o verbo haver significar existir ou acontecer ou quando indicar tempo decorrido, absurdamente não terá sujeito. Dizemos que ele é impessoal, ou seja, participa de uma oração sem sujeito. Como ele não tem sujeito, não tem com quem concordar, por isso sempre ficará, nos três casos apresentados, na terceira pessoa do singular. Leia os seguintes exemplos:

- Há quem diga que não haverá mais jornais. Nessa frase, em ambos os casos o verbo haver significa existir: Existe quem diga que não existirão mais jornais, por isso permanece no singular, mesmo declarando algo sobre um termo plural – jornais. Observe, porém, que o verbo existir não é impessoal; ele concorda com o termo sobre o qual declara algo – o seu sujeito: “... não mais existirão jornais.

- Houve alguns problemas no contrato que teremos de resolver. Nessa frase, o verbo haver significa acontecer: “Aconteceram alguns problemas...”, por isso permanece no singular, mesmo declarando algo sobre um termo plural – problemas. Observe, porém, que o verbo acontecer não é impessoal; ele concorda com o termo sobre o qual declara algo: “Aconteceram alguns problemas...”.

- Lembrei-me da frase de Marshal McLuhan enunciada há 50 anos. Nessa frase, o verbo haver indica tempo decorrido: “...enunciada faz 50 anos”, por isso permanece no singular, mesmo declarando algo sobre um termo plural – anos. Observe que o verbo fazer também é impessoal ao indicar tempo decorrido, por isso também deve permanecer na terceira pessoa do singular: “...faz 50 anos.”

O verbo fazer também será impessoal quando indicar fenômeno da natureza: Faz 30º à sombra.

Se, nesses três casos, o verbo haver for acompanhado de um verbo auxiliar (ter, haver, ser, estar, poder, dever...) para formar uma locução verbal, este verbo também ficará no singular. O mesmo ocorre com o verbo fazer, na indicação de tempo decorrido e de fenômeno da natureza. Observe estes exemplos:

- Poderá haver problemas, mas Poderão acontecer problemas.

- Não deverá haver jornais, mas Não deverão existir jornais.

- Está havendo dois anos que ele se foi e Está fazendo dois anos que ele se foi.

Somente nesses três casos, o verbo haver ficará obrigatoriamente no singular. Nas outras acepções, terá sujeito e com ele concordará. Observe estes exemplos; alguns não mais usados em nosso país:

- Eles se esforçaram, mas não houveram êxito = não conseguiram, não alcançaram, não obtiveram.

- Eles houveram muito medo = sentiram muito medo.

- Nós houvemos não ser possível continuar com aquilo = consideramos, julgamos, entendemos.

- Os alunos se houveram muito bem durante a palestra = comportaram-se.

Há ainda o uso do verbo haver como auxiliar de outro verbo, na formação de locução verbal. Um, em que acompanha outro verbo no particípio, ou seja, terminado em ado ou em ido; outro, em que acompanha outro verbo no infinitivo (terminado em ar, er, ir); nesse último caso, haverá ainda a preposição de entre ambos os verbos. Nesses dois casos, haverá sujeito, e o verbo concordará com ele. Por exemplo:

- Eles haviam estudado bastante.

- Eles hão de estudar bastante.

Quando haver for auxiliar de outro verbo no particípio, poderá ser substituído pelo verbo ter, também auxiliar: Eles tinham estudado bastante. Por isso a maioria da população brasileira julga ser adequada a substituição de haver por ter em qualquer circunstância, mas não o é. Só o é como auxiliar de particípio. São inadequadas frases como a seguinte: Tem escola que investe em tecnologia. O certo é Há escolas que investem em tecnologia ou Existem escolas que investem em tecnologia.

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