Gramática On-line | Por Prof. Dílson Catarino

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Ultima atualização: 23 ABR 2012

/ GRAMÁTICA

Prefiro ensinar ao jovem visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.

Prefiro ensinar ao jovem visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.

 

Quantos erros numa mesma frase! Quatro verbos usados e quatro inadequações cometidas. Vejamos o que ocorre:

 

O verbo preferir tem duas características próprias raramente percebidas pelos brasileiros em geral:

 

1- Ele não admite o uso de que ou de de que, do que; somente se pode usar diante dele a preposição a: Quem prefere, prefere uma coisa a outra.

 

2- Ele não admite o uso de palavra ou expressão enfática, como mais, muito mais, mil vezes, etc.

 

Veja este exemplo:

 

- Prefiro cerveja a vinho.

 

Pronto. Só isso se pode dizer, se se quiser usar a Gramática padrão. Não se pode usar que, de que, do que nem ênfase alguma. É considerado inadequação gramatical dizer Prefiro muito mais cerveja que vinho, Prefiro mil vezes cerveja do que vinho, etc.

Um detalhe a respeito do verbo preferir: o uso do artigo:

 

Se ele for usado diante do primeiro substantivo, também o será diante do segundo.

Caso não se usem os artigos, haverá generalização; se os usar, especificação.

 

Na frase apresentada (Prefiro cerveja a vinho) não se usou artigo algum. Há, portanto, generalização: sempre prefiro cerveja a vinho. Caso se especifique, os artigos devem ser usados:

 

- Prefiro a cerveja argentina ao vinho brasileiro.

 

Se se usarem os artigos e o segundo substantivo for feminino, haverá o acento indicador de crase:

 

- Prefiro a cerveja brasileira à argentina.

 

Sabido isso, constata-se que a frase apresentada no início do texto está inadequada. O certo é:

 

- Prefiro ensinar ao jovem visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.

 

Muito bem. Primeiro erro corrigido. Vamos ao segundo:

 

O verbo ensinar admite duas construções:

 

- Quem ensina, ensina algo a alguém;

- Quem ensina, ensina alguém a fazer algo.

 

Por exemplo:

 

- O professor ensina Matemática aos alunos.

- O professor ensina os alunos a fazer cálculos.

 

Na frase apresentada, como há o verbo visar no infinitivo, o certo é usar a segunda regência:

 

Prefiro ensinar o jovem a visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.

 

Segundo erro: OK. Vejamos o próximo:

 

O verbo visar tem vários significados e regência:

 

1- Se significar mirar ou dar visto, não exige preposição alguma:

 

- O caçador visou o animal;

- O professor visou os cadernos dos alunos.

 

2- Se significar ter um objetivo, exige a preposição a:

 

- Os jogadores brasileiros transferem-se para a Europa visando a títulos e a euros.

 

Na frase apresentada, o verbo visar significa ter um objetivo. O adequado, então seria:

 

Prefiro ensinar o jovem a visar a um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.

 

Finalmente, o último erro:

 

O verbo obedecer exige a preposição a: Quem obedece, obedece a algo ou a alguém. O mesmo acontece com o antônimo desobedecer. Se um pronome for usado no lugar do substantivo, devem-se usar me, te, lhe, nos, vos, lhes.

 

- O técnico do time perdeu a autoridade por completo. Nenhum jogador mais lhe obedece.

 

A frase apresentada, portanto, tem de ser assim reescrita:

 

Prefiro ensinar o jovem a visar a um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça aos adultos.

 

 

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