Prefiro ensinar ao jovem visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.
Quantos erros numa mesma frase! Quatro verbos usados e quatro inadequações cometidas. Vejamos o que ocorre:
O verbo preferir tem duas características próprias raramente percebidas pelos brasileiros em geral:
1- Ele não admite o uso de que ou de de que, do que; somente se pode usar diante dele a preposição a: Quem prefere, prefere uma coisa a outra.
2- Ele não admite o uso de palavra ou expressão enfática, como mais, muito mais, mil vezes, etc.
Veja este exemplo:
- Prefiro cerveja a vinho.
Pronto. Só isso se pode dizer, se se quiser usar a Gramática padrão. Não se pode usar que, de que, do que nem ênfase alguma. É considerado inadequação gramatical dizer Prefiro muito mais cerveja que vinho, Prefiro mil vezes cerveja do que vinho, etc.
Um detalhe a respeito do verbo preferir: o uso do artigo:
Se ele for usado diante do primeiro substantivo, também o será diante do segundo.
Caso não se usem os artigos, haverá generalização; se os usar, especificação.
Na frase apresentada (Prefiro cerveja a vinho) não se usou artigo algum. Há, portanto, generalização: sempre prefiro cerveja a vinho. Caso se especifique, os artigos devem ser usados:
- Prefiro a cerveja argentina ao vinho brasileiro.
Se se usarem os artigos e o segundo substantivo for feminino, haverá o acento indicador de crase:
- Prefiro a cerveja brasileira à argentina.
Sabido isso, constata-se que a frase apresentada no início do texto está inadequada. O certo é:
- Prefiro ensinar ao jovem visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.
Muito bem. Primeiro erro corrigido. Vamos ao segundo:
O verbo ensinar admite duas construções:
- Quem ensina, ensina algo a alguém;
- Quem ensina, ensina alguém a fazer algo.
Por exemplo:
- O professor ensina Matemática aos alunos.
- O professor ensina os alunos a fazer cálculos.
Na frase apresentada, como há o verbo visar no infinitivo, o certo é usar a segunda regência:
Prefiro ensinar o jovem a visar um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.
Segundo erro: OK. Vejamos o próximo:
O verbo visar tem vários significados e regência:
1- Se significar mirar ou dar visto, não exige preposição alguma:
- O caçador visou o animal;
- O professor visou os cadernos dos alunos.
2- Se significar ter um objetivo, exige a preposição a:
- Os jogadores brasileiros transferem-se para a Europa visando a títulos e a euros.
Na frase apresentada, o verbo visar significa ter um objetivo. O adequado, então seria:
Prefiro ensinar o jovem a visar a um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça os adultos.
Finalmente, o último erro:
O verbo obedecer exige a preposição a: Quem obedece, obedece a algo ou a alguém. O mesmo acontece com o antônimo desobedecer. Se um pronome for usado no lugar do substantivo, devem-se usar me, te, lhe, nos, vos, lhes.
- O técnico do time perdeu a autoridade por completo. Nenhum jogador mais lhe obedece.
A frase apresentada, portanto, tem de ser assim reescrita:
Prefiro ensinar o jovem a visar a um futuro próprio a simplesmente dizer-lhe que obedeça aos adultos.