ESQUECI DO NOME DELA!
Essa é uma frase muito comum no nosso dia a dia. Escutamo-la constantemente; não a frase apresentada especificamente, mas frases similares a ela. Poucos percebem a inadequação gramatical. Será que você conseguiu identificá-la? Aqui vai uma dica: Quem esquece, esquece algo. E agora? Está resolvido? Ainda não? Então mais uma: Quem se esquece, esquece-se de algo. Agora chegou à solução, não é mesmo? Vamos a ela:
O verbo esquecer pode ser usado com ou sem o pronome se, ou seja, existe o verbo esquecer e o verbo esquecer-se. Caso ele seja usado sem o pronome, também será usado sem a preposição de; se for usado com o pronome (eu me, tu te, ele se, nós nos, vós vos, eles se), será usado com a preposição de.
Existem, portanto, frases como as seguintes:
Esqueceram as boas maneiras, meninos?
Esqueceram-se das boas maneiras, meninos?
O mesmo ocorre com o verbo lembrar, ou seja, há o verbo lembrar e lembrar-se: lembrar algo e lembrar-se de algo, como nas seguintes frases:
Lembrou o nome do filme?
Lembrou-se do nome do filme?
Posto isso, concluímos que a frase apresentada pode ser construída de duas maneiras diferentes:
Esqueci o nome dela.
Esqueci-me do nome dela.
Quando, porém, o complemento de esquecer (esquecer algo) e de lembrar (lembrar algo) for outro verbo no infinitivo (terminado em ar, er, ir), a preposição de deverá ser usada mesmo que não haja o pronome:
Esqueci de trazer os documentos.
Esqueci-me de trazer os documentos.
Outra maneira de se usarem esses dois verbos é utilizar a coisa como sujeito e a pessoa como complemento do verbo, com a preposição a, ou seja, Esquece à pessoa a coisa. Esse é um uso clássico, ou seja, praticamente não é usado no dia a dia, mas o saber nunca é exagerado.
Nesse uso, os significados são os seguintes:
Esquecer = cair ao esquecimento;
Lembrar = vir à lembrança.
Haverá, então, frases como as seguintes:
Lembravam ao escritor aquelas manhãs da infância.
Nessa frase, aquelas manhãs da infância é o sujeito do verbo lembrar, ou seja, é o elemento lembrado, e o escritor é o complemento do verbo, ou seja, a quem foram lembradas as manhãs. A frase tem o mesmo significado de Aquelas manhãs da infância vinham à lembrança do escritor.
Outros exemplos:
Esqueceram-lhe os desafios do colega = Os desafios do colega caíram ao esquecimento.
Lembrou-me o nome de minha primeira namorada = O nome da primeira namorada veio-me à lembrança.
Esqueceram-me os meus primeiros poemas, escritos na adolescência. = Os meus primeiros poemas caíram ao esquecimento.