Próclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) antes do verbo.
Na Língua Portuguesa usada no Brasil, pode-se usar próclise SEMPRE, com uma única exceção: no início de frases. É, portanto, proibido iniciar frase com pronome oblíquo átono.
As seguintes frases são, portanto, inadequadas à língua culta:
Me decepcionei com ela.
Me dê motivo para ir embora.
Lhe solicitei algumas informações
Elas devem ser corrigidas assim:
Decepcionei-me com ela.
Dê-me motivo para ir embora.
Solicitei-lhe algumas informações.
No Brasil, se o verbo não estiver no início da frase, tanto se pode colocar o pronome antes dele quanto depois dele. Veja alguns exemplos:
Eu lhe falei a verdade. / Eu falei-lhe a verdade.
Ele se foi para casa. / Ele foi-se para casa.
Ela me falou isso. / Ela falou-me isso.
Há algumas palavras que tornam o uso da próclise obrigatório. São as chamadas palavras atrativas. Neste estudo, atentaremos a apenas três. Em outra oportunidade, veremos as demais.
Se antes do verbo surgir o advérbio NÃO, o pronome relativo ou a conjunção subordinativa QUE ou a conjunção subordinativa QUANDO, a próclise será obrigatória.
As seguintes frases, portanto, são inadequadas à língua culta:
Ele não emprestou-me dinheiro algum.
Ela, que havia se formado em Direito...
Quando conheci-a, ela me falou isso.
Elas devem ser corrigidas assim:
Ele não me emprestou dinheiro algum.
Ela, que se havia formado em Direito...
Quando a conheci, ela me falou isso.
Há casos especiais:
Se o verbo estiver no infinitivo e for precedido de preposição ou de palavra de valor negativo, a próclise será facultativa. Pode-se também usar ênclise nesse caso:
Não me preocupar com você é impossível.
Não preocupar-me com você é impossível.
Era para me encontrar com ele ontem.
Era para encontrar-me com ele ontem.