Aspiro ser um grande escotista.
Na Língua Portuguesa, existem palavras homônimas, ou seja, palavras que se escrevem da mesma maneira, tendo, porém, significados diferentes. É o que ocorre, por exemplo, com o verbo aspirar:
Aspirar algo é totalmente diferente de aspirar a algo. Vamos à teoria.
O verbo aspirar pode ter as seguintes predicações verbais:
01) Verbo transitivo direto, ou seja, verbo sem preposição alguma, quando significar atrair o ar aos pulmões, respirar, inspirar; atrair por meio de formação de vácuo ou de rarefação do ar; aplicar o olfato a, cheirar; sorver por sucção, sugar. Veja alguns exemplos:
- Aspirou o perfume da namorada.
- Aspirava a água com uma bomba ultramoderna.
- Aspirou as flores do jardim.
- Antigamente os médicos usavam ventosas para aspirar o sangue.
02) Verbo transitivo indireto, com a preposição a, quando significar ter um objetivo; pretender. Veja alguns exemplos:
- Ela aspira a uma vaga em Medicina.
- Nós, seres humanos, aspiramos à felicidade desde o nascimento.
Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não admitirá o uso do pronome lhe como objeto indireto, mesmo exigindo a preposição a. Devem-se usar as formas analíticas a ele, a ela, a eles, a elas. Por exemplo:
- Ao cargo de diretor, aspiro a ele, sim.
Muito bem. A frase apresentada está, então, inadequada ao padrão culto da língua, não é mesmo? Não! Como assim? É que modernamente o verbo aspirar, no significado de ter um objetivo, pretender, pode ser usado sem preposição alguma quando seguido de outro verbo no infinitivo (verbo terminado em –ar, -er ou –ir).
Há, portanto, duas possibilidades:
Aspiro a ser um grande escotista.
Aspiro ser um grande escotista.