Gramática On-line | Por Prof. Dílson Catarino

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Ultima atualização: 18 DEZ 2013

/ O COTIDIANO DA LÍNGUA

Ambiguidade

Um estudante interessado nos pormenores gramaticais me desdisse em um comentário acerca do texto Pronomes relativos que, quem, qual. Escreveu ele que estou errado, pois julga não ocorrer ambiguidade na frase “As mulheres que os homens brasileiros mais desejam são as recatadas”. O problema, porém, é que existe diferença entre ambiguidade semântica e ambiguidade sintática. Esta, somente quem se dedica aos estudos gramaticais a reconhece, pois trata de funções sintáticas – sujeito, objeto, adjunto adnominal, adjunto adverbial, etc.; aquela, todos a reconhecem, pois é pura e simplesmente uma questão de sentido, de significado.

Se digo, por exemplo, “Encontrei João correndo no vale”, cometo um deslize semântico, de sentido. Há, portanto, ambiguidade semântica. Quem corria no vale? Eu ou João? A frase não apresenta clareza quanto a isso. O problema é de sentido, e não quanto às funções sintáticas de cada termo da oração.

A ambiguidade sintática muitas vezes não carrega em si duplo sentido (quanto ao significado intrínseco das palavras ou da frase), mas sim carrega um problema de ordem sintática, quanto às funções que cada termo exerce na oração. Há duplo sentido, na ambiguidade sintática, quanto a isso (às funções dos termos), e não quanto ao significado das palavras. Exatamente isso que ocorre na frase apresentada. Vamos à explicação:

Há duas maneiras de se construir sintaticamente uma oração: colocando os termos em ordem direta ou em ordem inversa. A ordem direta é a colocação na seguinte ordem: sujeito + verbo + complementos (objeto direto, objeto indireto ou predicativo) + adjunto adverbial. Por exemplo, a frase “O filho obedece aos pais” está em ordem direta já que “o filho” é sujeito, “obedece” é verbo e “aos pais” é complemento do verbo (objeto indireto). Se invertermos ao menos um dos termos, passaremos a ter a ordem inversa:

O filho aos pais obedece.

Obedece aos pais o filho.

Obedece o filho aos pais.

Aos pais o filho obedece

Aos pais obedece o filho.

Nessas frases não ocorre ambiguidade alguma (nem sintática nem semântica), pois a preposição “a” esclarece quem é o sujeito e quem é o complemento, uma vez que sujeito nunca é iniciado por preposição.

Analisemos agora a seguinte frase: “A Seleção Brasileira vencerá a Seleção Argentina”. Claro está que quero dizer que a nossa Seleção será a vitoriosa. Que brasileiro apreciador de futebol dirá o contrário? Nenhum, não é mesmo? O problema, porém, é que essa frase, apesar de não carregar em si ambiguidade semântica, carrega ambiguidade sintática. Dentro dos padrões sintáticos, na verdade não há clareza quanto a quem vencerá quem. Veja por quê:

Quem é o sujeito da frase? “A Seleção Brasileira”

Qual é o verbo? “vencerá”

Quem é o complemento do verbo? “a Seleção Argentina”.

Muito bem. Isso acontece porque nós, brasileiros, nos habituamos a colocar os termos da oração em ordem direta. Agora, pergunto-lhe, caro estudante: Como ficaria essa frase em ordem inversa? Eis todas as possibilidades de ordem inversa da frase (Não se esqueça de que em todos os exemplos a seguir o sujeito é “A Seleção Brasileira”):

Caro estudante, tenha boa vontade para aceitar essa questão sintática, que você encontra em qualquer livro de Gramática de qualidade.

A Seleção Brasileira a Seleção Argentina vencerá.

Vencerá a Seleção Brasileira a Seleção Argentina.

Vencerá a Seleção Argentina a Seleção Brasileira.

A Seleção Argentina a Seleção Brasileira vencerá.

A Seleção Argentina vencerá a Seleção Brasileira.

Essas frases todas são absurdas semanticamente. Ninguém as diria jamais. Ocorre, porém, que sintaticamente estão todas adequadas, e em todas posso dizer que o sujeito é “A Seleção Brasileira”. (Caro estudante, novamente peço: tenha boa vontade para aceitar essa questão sintática, que você encontra em qualquer livro de Gramática de qualidade)

Existe, inclusive, uma regra para eliminar essas ambiguidades sintáticas: usando a preposição “a” diante do complemento verbal, na ordem inversa. É só colocar o acento indicador de crase diante de “Seleção Argentina” que a ambiguidade sintática será eliminada: “À Seleção Argentina vencerá a Seleção Brasileira”.

É isso que acontece na frase da coluna Pronomes relativos que, quem, qual. A frase “As mulheres que os homens brasileiros mais desejam são as recatadas” não carrega ambiguidade semântica, mas sim ambiguidade sintática.

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