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Muitos de nós fomos, foram ou foi à festa?

17/04/2014

 

Esses dias um professor de áreas exatas me perguntou como se deve efetivar a concordância do verbo quando o sujeito for um pronome indefinido ou interrogativo no plural (muitos, alguns, vários, quais, quantos, etc.), acompanhado de “nós” ou de “vós”, entremeados pela preposição “de”, ou “dentre” (“Muitos de nós...”, “Quais de vós...”, “Alguns dentre nós...”, “Vários dentre vós...”). Qual a concordância adequada? “Muitos de nós foi à festa”?; “Muitos de nós foram à festa”?; ou “Muitos de nós fomos à festa”? Pois bem, quando isso ocorrer, o verbo tanto poderá concordar na terceira pessoa do plural (“Muitos de nós foram à festa”) quanto com os pronomes “nós” ou “vós” (“Muitos de nós fomos à festa”). Ocorre, porém, que essas frases têm sentidos diferentes. Vejamos o que acontece:

 

Os pronomes indefinidos são aqueles que se aplicam à terceira pessoa gramatical quando é vago ou indeterminado o sentido desta. Eis alguns deles: alguém, ninguém, algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, cada, tudo, todos, todas, etc.

Os pronomes interrogativos são aqueles que iniciam uma pergunta, direta ou indiretamente: que, quem, qual, quanto.

 

Podem-se, então, formar frases como as seguintes:

 

- Quais de nós teriam coragem de denunciá-los?

- Quais de nós teríamos coragem de denunciá-los?

 

- Muitos dentre nós conseguiram seu intento.

- Muitos dentre nós conseguimos nosso intento.

 

Apesar de ambas as concordâncias serem certas, sempre somente uma delas estará adequada ao contexto, dependendo da participação ou não do autor da frase: se eu tivesse coragem de denunciá-lo e se eu tivesse conseguido meu intento, as frases adequadas seriam as seguintes:

 

- Quais de nós teríamos coragem de denunciá-los? (Eu e outras pessoas de meu meio teríamos coragem.)

- Muitos dentre nós conseguimos nosso intento. (Eu e outras pessoas de meu meio conseguimos o intento.)

 

Já se eu não tivesse coragem de denunciá-los e se eu não tivesse conseguido meu intento, as frases adequadas seriam as seguintes:

 

- Quais de nós teriam coragem de denunciá-los? (Eu não teria coragem; outras pessoas de meu meio a teriam.)

- Muitos dentre nós conseguiram seu intento. (Eu não consegui o intento; outras pessoas de meu meio o conseguiram.)

 

Se, porém, o pronome indefinido ou o pronome interrogativo estiver no singular, o verbo deverá ficar sempre no singular. Por exemplo:

 

- Qual de nós teria coragem de denunciá-los? (Só um de nós teria coragem.)

- Alguém dentre nós conseguiu seu intento. (Só um dentre nós conseguiu o intento.)

 

A frase apresentada, portanto, tem as seguintes possibilidades de concordância:

 

- Muitos de nós fomos à festa. (Eu e outras pessoas de meu meio fomos à festa.)

- Muitos de nós foram à festa. (Eu não fui à festa; outras pessoas de meu meio foram a ela.)

 

Não seria adequado conjugar o verbo no singular uma vez que não há termo no singular praticando a ação. Sê-lo-ia se, em vez de se usar o pronome “muitos”, fosse usado outro qualquer no singular: “alguém, ninguém, cada um, algum, quem, qual...”:

 

- Alguém de nós foi à festa. (Só um de nós foi à festa.)

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