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Alguns casos especiais de concordância verbal

25/03/2014

A concordância verbal é um dos aspectos gramaticais mais temidos pelos estudantes. A única maneira de usar o verbo convenientemente, concernentemente à concordância, é raciocinar, é analisar sintaticamente a oração, encontrando o sujeito a que o verbo se refere, a fim de deixar este no mesmo número e pessoa que aquele. Hoje estudaremos apenas alguns casos especiais, deixando os demais para outra oportunidade.

 

Comecemos pela própria definição de concordância verbal: A concordância verbal consiste no estudo do verbo quanto à maneira como ele deverá surgir na frase (singular ou plural), dependendo de qual elemento seja o sujeito da oração, ou até dependendo da própria existência do sujeito. Se o sujeito for um substantivo singular, o verbo ficará no singular; se for um termo no plural, o verbo também o será. Por exemplo:

 

- A turma chegou.

- Os bombeiros chegaram.

 

Para se encontrar o sujeito, pergunta-se ao verbo “Que(m) é que...?”.

 

Agora estudemos alguns casos especiais, a começar pelo verbo ser: Decerto, se se apresentar a seguinte frase

 

- O vestibular são as esperanças dos estudantes.

 

A maioria dirá que há inadequação, pois “O vestibular são...” parece estar errado, não é mesmo? Mas não está, pois o verbo ser, quando tiver como sujeito e como predicativo do sujeito elementos numericamente diferentes (um no singular, outro no plural), deverá concordar com o plural, não importando a sequência em que os elementos se encontrem na oração. Outros exemplos:

 

- O mundo dela são as suas bonecas.

- Nem tudo são alegrias na vida.

 

Essa concordância só não ocorrerá se o sujeito for um nome próprio ou indicar pessoa; nesse caso, o verbo ser concordará com a pessoa. Por exemplo:

 

- Este homem é só mentiras.

- Mariella é as alegrias da família.

 

Outro caso especial do verbo ser ocorre em frases que indicam quantidade: Qual é o certo? Trezentos gramas de carne é (ou são) o suficiente para esse prato? A resposta é

 

- Trezentos gramas de carne é o suficiente.

 

Isso acontece porque o verbo ser ficará no singular, quando o predicativo for uma expressão como “muito, pouco, o bastante, o suficiente, uma fortuna, uma miséria, demais...”. Outros exemplos:

 

- Duzentos mil reais é muito para essa casa.

- Quatro voluntários é o bastante para realizar o serviço.

 

O verbo ser também pode ser impessoal, ou seja, pode apresentar-se sem sujeito. Isso ocorrerá quando indicar horas, datas ou distâncias. Ao indicar horas ou distâncias, o verbo ser concordará com o numeral a que se refere; ao indicar datas, tanto poderá ficar no singular, quanto no plural, com exceção do primeiro dia do mês; nesse caso, ser ficará no singular. Exemplos:

 

- É uma hora.

- São duas horas.

- É um quilômetro daqui até lá,

- São dois quilômetros daqui até lá.

- É vinte e nove de agosto.

- São vinte e nove de agosto.

 

Que você diria da frase “Bateram dez horas o relógio da matriz”? Certa ou errada? Errada! Os verbos dar, bater e soar concordam com o sujeito (relógio, torre, campanário, sino), a não ser que esses elementos estejam com a preposição em; nesse caso, não funcionarão como sujeito, e os verbos passarão a concordar com o numeral. Veja alguns exemplos:

 

- Bateram dez horas no relógio da matriz.

- Bateu dez horas o relógio da matriz.

- Soaram quatro horas no sino.

- Soou quatro horas o sino.

 

“Viva os jogadores!” Quem nunca gritou frase desse tipo algum dia? Quem nunca cometeu esse erro? Erro, porque o verbo viver, nas orações optativas, deve concordar com o sujeito, que sempre estará posposto ao verbo. Outros exemplos:

 

- Vivamos nós!

- Vivam os artistas!

 

- Vivam as borboletas que parece bailarem quando voam!

 

Quê?! “parece bailarem”? Exatamente. Tanto se pode dizer “parece bailarem” quanto “parecem bailar”. Quando o verbo parecer estiver seguido de outro verbo no infinitivo e o sujeito for um elemento no plural, ou flexiona-se o verbo parecer ou o infinitivo.

 

Sintaticamente, em As borboletas parecem bailar, “as borboletas” funciona como sujeito, e “parecem bailar” é locução verbal. Em As borboletas parece bailarem o sujeito de “parece” é “as borboletas bailarem”. Essa última construção é equivalente a “Parece que as borboletas bailam”, retirando-se a conjunção “que” e colocando-se o verbo no infinitivo.

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