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Dica do professor Dilson Catarino

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Alteza, abra a porta!

11/07/2014

Assistindo ao filme O Ilusionista, percebi que o tradutor do filme para a Língua Portuguesa cometeu alguns deslizes ao usar pronomes de tratamento. Na história, há um príncipe herdeiro do trono do país onde se passa a trama. Todos que com ele conversavam usavam frases como as seguintes:

 

- Vossa Alteza, abra a porta!

- Vossa Alteza, não irei para Bruxelas.

 

Não é o primeiro filme a que assisto com essa inadequação. E, você, aluno estudioso, percebeu a inadequação? Vamos à explicação:

 

Os pronomes de tratamento são palavras ou locuções que funcionam como pronomes pessoais para a designação das pessoas do discurso: o senhor, a senhorita, Vossa Majestade, Sua Alteza, etc. O pronome de tratamento mais usado no Brasil é, indiscutivelmente, você. Sabido isso, chega-se facilmente à conclusão de que as frases apresentadas acima estão inadequadas, não é mesmo? Ninguém diria “Você, abra a porta!” nem “Você, não irei para Bruxelas”. Os pronomes de tratamento, salvo exceções, não são usados como vocativo.

 

Vocativo é a forma linguística que expressa, no discurso direto, aquele a quem o emissor se dirige. Discurso direto é a reprodução das palavras de alguém nos termos exatos em que foram ditas. Por exemplo:

 

- Elídio, abra a porta!

- Lorena, volte logo para casa.

 

Nessas frases, Elídio e Lorena são vocativos, pois o emissor da frase se dirige a elas, chamando-as para praticar determinadas ações.

 

Como usar, então, adequadamente os pronomes de tratamento? Vejamos:

 

Usam-se os pronomes de tratamento iniciados por “Vossa ...” ao conversar com a pessoa. Por exemplo:

 

- Vossa Alteza tem de saber a verdade.

- Gostaria de conversar com Vossa Excelência sobre nosso problema.

 

Usam-se os pronomes de tratamento iniciados por “Sua ...” ao conversar sobre a pessoa. Por exemplo:

 

- Sua Santidade, o papa, esteve no Brasil.

- Sua Excelência, o governador, foi condenado por corrupção.

 

O que é muito importante também saber é que os pronomes de tratamento são pronomes de terceira pessoa, exatamente o que acontece com o pronome você. Tudo que se referir aos pronomes de tratamento deve concordar com a terceira pessoa, como ocorreu com as frases acima. Os verbos “ter, estar e ser” estão na terceira pessoa (tem, esteve e foi) por esse motivo.

 

Outra regra concernente aos pronomes de tratamento é quanto ao uso do artigo (o, a, os, as, um, uma, uns, umas): não se usa artigo diante dos pronomes de tratamento, a não ser diante de “dona, senhor, senhora, senhorita e madame”. Seriam, portanto, inadequadas, frases como as seguintes: “Não gostei da Sua Excelência, o novo governador”; “Apoio a Vossa Excelência, caro prefeito”. O adequado é o seguinte:

 

- Não gostei de Sua Excelência, o novo governador.

- Apoio Vossa Excelência, caro prefeito.

 

E o vocativo? Como ficam os pronomes de tratamento se quisermos usar como vocativo?

 

Usam-se outras palavras como vocativo. Vejamos algumas:

 

- Alteza, para príncipes;

- Majestade, para reis;

- Excelentíssimo, para indivíduos de alta hierarquia social;

- Ilustríssimo, para pessoas a quem nos dirigimos por escrito e para aquelas a quem atribuímos certa dignidade.

 

As frases ditas no filme, então, deveriam ser assim escritas:

 

- Alteza, abra a porta!

- Alteza, não irei para Bruxelas.

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